Investigação

PSOL pede ao MPF inquérito sobre relação de Queiroga e Kicis com vazamento de dados de médicos

Enquanto Bia Kicis é uma das principais integrantes da tropa governista no Congresso, Queiroga foi nomeado ministro de Bolsonaro em março de 2021

Três especialistas pró-vacina tiveram CPF, telefone e e-mail divulgados após audiência em que defenderam imunização

Os nove deputados que compõem a bancada federal do Psol ingressaram, nesta quarta-feira (12), com uma representação junto ao Ministério Público Federal (MPF) para pedir a apuração de eventuais responsabilidades envolvendo o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, e a deputada Bia Kicis (PSL-DF) no vazamento de dados de médicos pró-vacina.

O episódio ocorreu depois de uma audiência pública realizada pelo Ministério da Saúde no último dia 4 para debater a imunização de crianças de 5 a 11 anos.

Foram vazados dados como CPF, telefone e e-mail constantes nas declarações de conflitos de interesses de três profissionais que estiveram no evento e defenderam a vacinação desse público.

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A divulgação das informações se deu em grupos bolsonaristas. Os especialistas atingidos são os médicos Renato Kfouri, diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), a vice-presidente da entidade, Isabella Ballalai, e Marco Aurélio Sáfadi, infectologista da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).

Dirigido ao procurador federal dos Direitos do Cidadão, Carlos Alberto Vilhena, o documento do Psol destaca que as declarações de conflitos de interesses são documentos que podem ser tornados públicos, mas não com dados pessoais dos especialistas dos quais tratam esses arquivos.

O partido também ressalta que, em entrevista recente ao jornal O Globo, Bia Kicis (PSL-DF) admitiu ter repassado informações dos três médicos em grupos de WhatsApp.

A deputada disse ainda ao portal Poder360 que teria enviado os documentos, mas negou ser responsável pelo vazamento em si.

Uma das principais representantes da tropa de Bolsonaro no Congresso, ela conta que pediu as declarações dos três profissionais ao Ministério da Saúde antes da audiência pública.

“Um dos médicos prejudicados afirma que o vazamento começou ainda no início dela”, menciona o Psol na representação, após citar diferentes características da gestão Bolsonaro, entre elas o comportamento anticiência e a cruzada contra a imunização de crianças contra a covid.

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“Todos esses fatos deixam claro que há em curso um amplo e sistemático modelo de disseminação de fake news, vazamentos e ameaças que, aliados ao recrudescimento autoritário do governo, tem graves consequências não só para a democracia, mas para as vidas daqueles que defendem a ciência e que não concordam com a postura irresponsável do governo no que concerne às crianças ”, complementa a bancada.

O partido pede ao MPF que sejam apuradas responsabilidades administrativas, civis e eventualmente penais que possam envolver Bia Kicis e o ministro Queiroga no episódio do vazamento. “É inadmissível quando negacionismo com intimidação são usados pelos apoiadores do presidente e ainda de forma ilegal”, disse o partido, em nota enviada à imprensa nesta quarta.

Edição: Vinícius Segalla